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Eclética Centro de Música

Eclética Centro de Música apresenta recital “With a little help from our friends” na sala Bruno Kiefer

Recital-tributo aos Beatles ocorre no dia 27 de novembro

No dia 27 de novembro, às 20h, a Eclética – Centro de Música abre as portas da sala Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mario Quintana, para seu recital de final de ano. Com a proposta de um show de rock, a apresentação tem repertório composto por músicas da banda The Beatles. A escolha do tema tem a ver com os 50 anos de lançamento do primeiro single da banda, Love Me Do, e a chegada do baterista Ringo Starr, para substituir Pete Best.

Clássicos como Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, Lucy in the Sky with Diamonds, Come Together e I’m only sleeping marcam o repertório, que terá arranjos criados em conjunto pelos professores Lucas Volpatto, Gevago Prescendo, Vinícius Nogueira e Deisi Coccaro e os alunos. “Cada música está sendo pensada dentro do estilo de cada aluno e do que é possível de criar para os arranjos, como um tributo, mas evitando a execução como um cover”, afirma Lucas Volpatto, músico e diretor da escola. Em cena 40 pessoas no total, entre alunos, professores e músicos, realizam o espetáculo. “É uma oportunidade para o aluno apresentar o que foi trabalhado durante o ano, além de ter a experiência de subir ao palco, com tudo que tem direito: cenário, luz, banda de apoio, roadie”, explica.

Para a concepção do recital e seleção das músicas, o músico teve auxílio da jornalista e mestre em comunicação Bruna Paulin, que escreveu sua dissertação sobre a banda e ministra o curso “De Elvis a Justin Bieber – comunicação, cultura, consumo e juventude”. A identidade visual e projeto gráfico foram criados por Francesco Settineri.

Os ingressos antecipados estão à venda na Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim) e na sede da Escola (Rua Giordano Bruno, 360) a R$ 12,00. Na hora, será possível adquirir na bilheteria do teatro por R$ 15,00.

With a little help from our friends – um recital beatlemaníaco

Dia 27 de novembro, 20h

Sala Bruno Kiefer – Casa de Cultura Mario Quintana

Ingressos entre R$ 12,00 e R$ 15,00

Liverpool, a cidade mãe

Trecho da minha dissertação, adaptado para post no blog da Eclética:

Curiosidades e a influência na vida dos seus quatro rapazes mais ilustres

Quarta maior cidade do Reino Unido e segundo porto da Inglaterra, Liverpool nasceu às margens do estuário do rio Mersey, em um ponto abrigado entre florestas e pântanos, como uma pequena vila de pescadores, ao norte do território. Sua posição geográfica, na saída ocidental das planícies inglesas e dominando, do outro lado do mar, a entrada das planícies irlandesas, logo se evidenciou vantajosa. Assim que a colonização irlandesa pelos ingleses foi concluída, Liverpool tornou-se o centro das relações comerciais com esse país.

No início do século XVII, suas atividades foram ampliadas, passando à categoria de porto colonial, e no século XVIII, tornando-se centro de comércio de escravos africanos, superando em tamanho as docas do porto de Londres. Durante a década de 1840, sua população praticamente dobrou, e em torno de 400 irlandeses católicos emigraram, incluindo os ancestrais de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison. Foi a primeira cidade do país a ter umChinatown e tantos imigrantes escoceses, que no século XIX tornou-se a maiorcidade escocesa do mundo.

O desenvolvimento e riquezas eram tão grandes, que segundo Steven D. Stark em seu livro Meet the Beatles, foram encontradas anotações de pessoas ilustres como o escritor e jornalista inglês Daniel Defoe, elogiando Liverpool, como uma cidade de finesse e com construções tão belas quanto às da capital. Na primeira parte do século XX, antes da Segunda Guerra Mundial, a cidade possuía mais de dez teatros e o repertório mais antigo do território inglês. De acordo com Stark, a urbe não parecia fazer parte da Inglaterra, já que norte e sul do país eram duas nações entre seres que “não possuíam envolvimento e simpatia; duas áreas que se ignoravam e desconheciam seus hábitos, pensamentos e sentimentos, como se habitassem países distintos.”

Porém, depois de três séculos de crescimento, após a segunda guerra mundial, a importância da indústria da cidade diminuiu, e seus contatos reduziram-se ao comércio com a África ocidental e os EUA – este último, de onde vinham novidades como discos de jazz, blues e rock’n’roll. Habitada por marinheiros, a cidade no pós-guerra possuía mais de um milhão de habitantes.

No início dos anos 1940, época de nascimento dos quatro Beatles, Liverpool passava por terrível declínio, além de ter sido devastada por bombardeios alemães. Segundo Stark, “em uma única semana de 1941, em torno de mil pessoas foram mortas; e no início de 1942 perto de 70% das casas da cidade foram atingidas.” Um terço do centro da cidade foi bombardeado, e dez anos depois, ainda era possível encontrar cacos de vidro dos prédios destruídos. Durante a infância dos fabfour, as ruínas espalhadas pela cidade transformaram-se em playgrounds para as crianças, que brincavam em hospitais, escolas e casas de vizinhos destruídas com a maior naturalidade, chamando-as, carinhosamente, de bombies.

A vida era tão regrada e a dieta da população tão pobre, que para conseguir uma garrafa de suco de laranja até 1954, era preciso uma receita médica. A pressão da guerra que se manteve após seu final, criou uma rotina durante os anos 1950 que contrastava com a riqueza na mesma época dos Estados Unidos. Segundo Stark, essa é uma razão por que a contracultura inglesa nunca desenvolveu críticas ao consumismo e riqueza como fizeram os primos americanos. Ovos eram alimentos inimagináveis no cardápio do inglês, e a carne só deixou de ser racionada em julho de 1954, quando multidões saíram às ruas para gritar e pedirthe roast beef of old England. Em 1956, menos de 10% da população tinha refrigerador em casa.

Há três fatores de grande influência no espírito do povo de Liverpool que advêm de seu caráter portuário: uma enorme quantidade de bares, logo ingleses e estrangeiros alcoolizados; o porto e muito marinheiros, e uma possível e surpreendente aceitação em relação a sexo casual, mães solteiras e homossexualidade; e finalmente, os diversos lares de matriarcas que, enquanto seus esposos navegavam, cuidavam da família. O primeiro item explica o porquê da quantidade de brigas espalhadas pela urbe, ou como declarou o baterista dos Beatles, Ringo Star, para Stark, “havia muita gente brava pela cidade”.

O segundo tópico nutriu uma subcultura gay, com o surgimento de bares especializados, e o mais marcante, tornando a vista das autoridades nebulosa diante casos de sodomia, já que a lei inglesa era extremamente rigorosa com este assunto. Mas seria um engano dizer que o preconceito houvera sido abolido, já que uma das poucas pessoas de que se tinha conhecimento sobre sua sexualidade fora Brian Epstein, futuro empresário do grupo. Não que o agente falasse abertamente sobre o caso, mas era sabido que Epstein fora pego pela polícia diversas vezes abordando rapazes em banheiros públicos. O terceiro fator determinou a criação de diversos jovens, influência trazida pelos ancestrais irlandeses, que possuíam uma tradição de matriarcado, diferenciando mais uma vez o município de Liverpool do resto da nação. Eram as mulheres que comandavam a vida das famílias, e segundo pesquisas de Stark, as senhoras de Liverpool se destacam mais que os homens em diversos aspectos.

A importância da cidade na produção dos Beatles é latente. Os integrantes da banda, todos naturais de Liverpool, imortalizaram em diversas canções, fragmentos autobiográficos vividos na cidade, como a rua chamada Penny Lane, de música com o mesmo nome, e o orfanato Strawberry Fields, título da composição de John Lennon, Strawberry Fields Forever. Suas atitudes e idéias são um grupo de fatores que formam sua maneira de compor, como uma forma de bolo, feita sob efeito de suas experiências ainda adolescentes em Liverpool.

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