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Bruna Paulin

Assessoria de Flor em Flor

mês

abril 2021

14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira divulga vencedores e disponibiliza obras até 18 de abril

Obras vencedoras da Mostra Competitiva Brasil foram divulgadas nesta quarta-feira pelas redes sociais do festival

Júri elegeu Os Últimos Românticos do Mundo e Célio’s Circle como os vencedores do Grande Prêmio Cine Esquema Novo 

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Obras poderão ser conferidas até 18 de abril, no Chorinho do CEN

Porto Alegre, 14 de abril de 2021 – Nesta quarta-feira, 14 de abril, o 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira divulgou os ganhadores da Mostra Competitiva Brasil. O júri, composto pela  curadora e crítica de arte Fernanda Brenner, a documentarista, curadora e jornalista Flavia Guerra, a cineasta, curadora e produtora Graciela Guarani e a multiartista Linn da Quebrada, elegeu Os Últimos Românticos do Mundo, de Henrique Arruda, e Célio’s Circle, de Diego Lisboa, como os vendedores do Grande Prêmio Cine Esquema Novo em 2021. As obras recebem o troféu assinado pelo artista Luiz Roque, além de R$ 10.000,00 em locação de equipamentos de luz e maquinária da Locall RS e R$ 10.000,00 em utilização dos serviços de infraestrutura de produção e pós-produção do TECNA, centro de Produção Audiovisual, um empreendimento do ecossistema do TECNOPUC. O prêmio será dividido entre os dois vencedores. A juradas também concederam para Entre Nós e o Mundo, de Fabio Rodrigo, o prêmio em empréstimo de equipamentos (Black Magic Ursa e acessórios) por duas semanas ou serviço de mixagem de 20 horas, do CTAV – Centro Técnico Audiovisual.

As 31 obras selecionadas pelos curadores Jaqueline Beltrame, Dirnei Prates, Gustavo Spolidoro e Vinicius Lopes para a Mostra Competitiva Brasil foram avaliadas pelas juradas, que tiveram a missão de eleger o Grande Prêmio do 14º Cine Esquema Novo e mais cinco destaques, todos eles acompanhados de uma justificativa que explicita as razões da escolha. As produções selecionadas foram Atordoado, Eu Permaneço Atento, de Henrique Amud & Lucas H. Rossi dos Santos, Caminhos Encobertos, de Beatriz Macruz e Maria Clara Guiral, Entre Nós e o Mundo, de Fabio Rodrigo, Perifericu, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira e Ser Feliz no Vão, de Lucas H. Rossi dos Santos.

Este ano, por conta do formato on-line, a organização do festival criou uma novidade para a Mostra Competitiva Brasil: o Caderno de Artista. A novidade apresentou, no site do festival, diversos conteúdos construídos em parceria com cada um dos selecionados, disponíveis em um ambiente digital criado para cada participante. Além disso, cada realizador foi instigado a trazer outra obra audiovisual que entre em diálogo com seu trabalho para esse espaço virtual.  O Caderno de Artista, uma proposição inédita, “é um espaço que reúne, além do filme selecionado, a obra que dialoga com o trabalho em competição, entrevistas, informações e outras imagens, convidando o público a ter uma maior compreensão do universo de cada realizador”, declara a diretora do festival, Jaqueline Beltrame. 

Além da Mostra Competitiva Brasil, o CEN realizou a segunda edição da Mostra Outros Esquemas, que contou com 12 obras, e a Mostra Artista Convidado Welket Bungué, que reuniu seis filmes do artista transdisclipinar de Guiné Bissau cujo nome é título da mostra. Todos os filmes estão disponíveis no site do festival gratuitamente e on-demand. 

Além das mostras, o festival promoveu projeções urbanas em três pontos de Porto Alegre; quatro oficinas, uma em parceria com o projeto Câmera Causa e três em parceria com o Macumba LAB; a segunda edição do Seminário Pensar a Imagem, com produção e curadoria de Gabriela Almeida e que segue até esta quinta, 15 de abril, através do YouTube do evento, gratuitamente e com intérprete de LIBRAS; e debates com os realizadores da Mostra Competitiva. O público também pode conferir entrevistas pelo Instagram do Cine Esquema Novo através das lives Abrindo Cadernos, nas quais os realizadores da Mostra Outros Esquemas falam sobre seus processos de criação em entrevista com a jornalista Bruna Paulin, e o Shot Esquema Novo, um momento de descontração com a equipe do festival e diversos convidados. As duas atividades ocorrem até esta quinta-feira.

O time de curadores das mostras contou com Dirnei Prates, Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame e Vinicius Lopes. A curadoria das projeções urbanas é assinada por Tiatã, com intervenção artística da VJ Janaina Castoldi, e Alisson Avila, um dos sócios-fundadores do CEN, integrou a curadoria da mostra de Bungué, ao lado de Jaqueline e Gustavo.

CHORINHO DO CEN

Devido ao sucesso desta edição on-line, a organização do 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira disponibilizará por mais três dias a possibilidade de o público assistir às obras deste ano, que ficarão no site até as 23h59 deste domingo, 18 de abril. “Diferente das edições fisicamente presenciais, e por conta do grande volume de conteúdos disponíveis através dos Cadernos de Artista, recebemos muitos pedidos do público que gostariam de mais tempo para apreciar as obras. Assim surgiu a ideia do Chorinho do CEN”, revela Jaqueline, que também é uma das fundadoras do festival, curadora das três mostras e coordenadora de produção do evento. O Chorinho também é a chance de quem não assistiu aos vencedores deste ano ter tempo extra para conferir os escolhidos pelas juradas”, conta. Os conteúdos dos Cadernos de Artista, exceto os filmes da Competitiva e as obras convidadas, seguirão disponíveis no site do festival para consulta após o período de exibição. 

O 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira é uma realização da ACENDI – Associação Cine Esquema Novo de Desenvolvimento da Imagem. Projeto realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020. Mais informações, acesse: http://www.cineesquemanovo.org | http://www.facebook.com/cineesquemanovocen | @cine_esquema_novo 

Saiba Mais

Mostra Competitiva Brasil – Grande Prêmio 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira 

“Uma escolha que não divide, mas que complementa o olhar sobre o futuro que já é. Presente. “Principício” entre o início e o fim, ou o início do fim. Um mundo termina para que outro sonhado nasça. O mundo como o conhecemos já acabou muitas vezes. E ainda vai acabar tantas outras. 

Se em Célio’s Circle o personagem-antena é atravessado por ondas, energias, discursos e um cotidiano duro e de esquecimento, em Os Últimos Românticos do Mundo, os corpos são atravessados pela ideia de uma nova realidade construída segundo outros parâmetros. Uma onda rosa substitui um mundo que já demorou para desmoronar. 

Em Célio’s Circle, a linguagem quase documental se une à experimentação de montagem e a uma construção engenhosa de um universo sonoro não diegético que não só enriquece mas constrói a própria narrativa. 

Em Os Últimos Românticos do Mundo, a narrativa ressignifica e constrói uma nova linguagem a partir de símbolos gastos e já decodificados. Ao dar novos sentidos a eles, o filme propõe novos caminhos e possibilidades para o futuro presente. O primeiro romântico do mundo acena aos últimos”.

CÉLIO’S CIRCLE, Diego Lisboa

OS ÚLTIMOS ROMÂNTICOS DO MUNDO, de Henrique Arruda

Prêmio Quebra de Eixo

“Conduzida pelo som da mata, a câmera caminha junto com os jovens guaranis, Karai Mirim e Karai Jekupe, lideranças Guarani Mbyá da Terra Indígena Jaraguá em São Paulo. Por meio de um olhar coletivo, o filme reescreve e instaura uma narrativa orgânica e de respeito mútuo. Enquanto espectadores, nos tira do eixo, desestabiliza e desloca. O filme amplia o olhar. A  inversão do eixo narrativo, tanto cinematográfico quanto histórico, é uma conquista para o cinema e audiovisual brasileiro”.

CAMINHOS ENCOBERTOS, de Beatriz Macruz e Maria Clara Guiral (diretoras); Thiago Henrique Karai Jekupe e Victor Fernandes Karai Mirim (história original)

Prêmio Contra-Plano 

“O diretor lança um olhar afetivo e sagaz de um cotidiano que, via de regra, é retratado friamente pela mídia e pelas estatísticas. Revelando o seu próprio universo, o cineasta se implica na narrativa que conduz. Faz cinema de autor. Ao ser ao mesmo tempo o pássaro que bica e o pássaro que vê, redireciona o modo como vemos e nos movemos diante de um imaginário coletivo dado e instaurado, e, assim, nos aproxima”. 

ENTRE NÓS E O MUNDO, de Fabio Rodrigo

Prêmio Perspectiva  

“O frescor do filme é resultado de um encontro coletivo de realizadores e realizadoras que, a partir das supostas fragilidades apontadas, constroem potência. Aquelas que são colocadas à margem, ocupam o centro da narrativa e o descentraliza. Irreverente, Perifericu descortina temas prementes do momento em que vivemos”. 

PERIFERICU, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira

Prêmio Fricção 

“O filme estabelece uma disputa de narrativas. Retoma memórias e tensiona o presente a partir de um relato contundente e pessoal. O filme dá conta de um passado histórico traumático enquanto aponta seus reflexos e cicatrizes na atualidade. Quando se tem um presidente que enaltece a tortura, é ainda mais urgente que o cinema se comprometa em preservar a história de suas vítimas e os fatos, e revele as contradições que compõem a narrativa do País”. 

ATORDOADO, EU PERMANEÇO ATENTO, de Henrique Amud & Lucas H. Rossi dos Santos

Prêmio Requadro 

Colagem caleidoscópica de imagem e som, o filme constrói um ensaio visual fragmentado sobre o racismo e como este se articula de maneira sofisticada e cruel em nosso imaginário. O filme revela um incômodo racial e de classe e, ao mesmo tempo, celebra a vida e a potência das negritudes por meio de sua montagem multifacetada. 

SER FELIZ NO VÃO, de Lucas H. Rossi dos Santos

Prêmios: 

Todos os vencedores recebem Troféu criado pelo artista Luiz Roque

Grande Prêmio Cine Esquema Novo – prêmio será dividido entre os dois filmes eleitos pelo júri

· R$ 10.000,00 em locação de equipamentos de luz e maquinária na Locall RS

· R$ 10.000,00 (dez mil reais) em utilização dos serviços de infraestrutura de produção e pós-produção do TECNA, centro de Produção Audiovisual, um empreendimento do ecossistema do TECNOPUC

Prêmio Contra-Plano

· Empréstimo de equipamentos (Black Magic Ursa e acessórios) por 02 semanas ou serviço de mixagem de 20 horas, do CTAV Centro Técnico Audiovisual 

Juradas

Fernanda Brenner nasceu em São Paulo, Brasil, em 1986. É curadora, crítica de arte e fundadora e diretora artística do Pivô, em São Paulo. Em paralelo ao seu trabalho na instituição, atua como consultora de arte latino-americana da Kadist Art Foundation, faz parte da equipe curatorial da feira italiana Artissima, é editora colaboradora da revista Frieze e integra o comitê de desenvolvimento da plataforma Ordet em Milão. Entre suas curadorias mais recentes estão as exposições individuais República, Luiz Roque (2020), Avalanche, Katinka Bock (2019), ambas no Pivô e as coletivas A Burrice dos Homens, na galeria Bergamin Gomide, São Paulo (2019), Neither, Mendes Wood DM, Bruxelas (2017), co-curadoria da exposição Caixa Preta, na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre (2018). Seus textos já foram publicados em uma série de publicações, incluindo Textwork da Fondation d’Enterprise Pernod Ricard, Art Review, Terremoto, Mousse, Cahiers d’Art, além de contribuir com catálogos institucionais, nacionais e internacionais, e monografias para a editora Cobogó, MASP, Centre Georges Pompidou, Fridericianum e MOCA Detroit.

Flavia Guerra é documentarista, curadora e jornalista. Formada em jornalismo pela ECA-USP. Bolsista do Chevening Scholarship Programme, tem mestrado em Direção de Documentário e Cinema na Goldsmiths – University of London. Produziu e dirigiu Karl Max Way (premiado no Festival É Tudo Verdade); roteirizou e narrou a série Brasil Visto do Céu, coprodução entre a brasileira Gullane Filmes e a francesa Gedeon para a  ARTE. É codiretora de Poemaria (www.poemaria.com.br). Atualmente, desenvolve o documentário Notícias Populares – Muito Além da Verdade. É roteirista do longa Soprando Búzios, de João Gabriel, e produtora associada de Meu Sangue É Vermelho (Needs Must Film-BR/UK). Foi repórter de Cultura de O Estado de S. Paulo por 15 anos, além de colaborar com diversos veículos como Carta Capital, Revista Trip, Revista Continente, Folha de S. Paulo, entre outros. É colunista de cinema da Rádio Band News FM. É criadora do podcast Plano Geral. Entre 2019 e início de 2020, cobriu festivais internacionais para o Canal Brasil, para o qual produz conteúdo regularmente. É curadora do Feed Dog – Festival Internacional de Documentários de Moda. É criadora e editora do TelaTela. Integra os coletivos Mais Mulheres e Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema. 

Graciela Guarani é pertencente à nação Guarani Kaiowá, Graciela é produtora cultural, comunicadora, cineasta, curadora de cinema e formadora em audiovisual. Uma das mulheres indígenas pioneiras em produções originais audiovisuais no cenário Brasileiro, tem um currículo que inclui direção e roteiro em 8 curtas metragens, uma série de vídeos cartas “Nhemongueta Cunha Mbaraete “ (IMS/RJ),co-direcao no longa My Blood is Red (Needs Must Film),  formadora no Curso Mulheres Indígenas e Novas Mídias Sociais- da Invisibilidade ao acesso aos direitos pela @onumulheresbr  e TJ/MS – MS 2019, Cineasta facilitadora na Oficina de Cinema – Ocupar a Tela: Mulheres, Terra e Movimento pelo IMS e Museu do Índio – RJ 2019, Convidada como debatedora da Mesa redonda Internacional de Mulheres na Mídia e no Cinema na 70a. Berlinale – Berlin International Film Festival 2020 @berlinale

Linn da Quebrada é uma multi-artista brasileira. Além do elogiado disco Pajubá (2017), Linn é apresentadora de um talk-show e também atua no cinema e na TV. Travesti e “artivista”, Linn  tem alcançado e conquistado territórios em outros países e continentes, para além do Brasil, com uma arte combativa, que disputa espaços, narrativas e imaginários.

14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira ocorre de 10 a 15 de abril em Porto Alegre

Três mostras com seis world premières, oficinas, seminário, debates e muita interação nas redes sociais integram a programação totalmente on-line e gratuita pelo www.cineesquemanovo.org

Júri desta edição é composto por Fernanda Brenner, Flávia Guerra, Graciela Guarani e Linn da Quebrada

Porto Alegre, 03 de abril de 2021 – O 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira ocorre entre os dias 10 e 15 de abril, com três mostras, 49 obras, seis delas estreias internacionais, seminário, oficinas, debates, muita interação nas redes sociais e o artista transdisciplinar Welket Bungué como artista convidado. Toda a programação será on-line e gratuita pelo www.cineesquemanovo.org, e as obras estarão disponíveis no site durante os seis dias de evento para serem visualizadas a qualquer horário, on demand. “Já que não podemos realizar o festival de forma presencial este ano, decidimos então tirar partido de algumas vantagens que o ambiente virtual nos proporciona, como a conveniência de deixar os filmes das mostras em exibição on-line, sem horário ou sessão. Vai ser possível assistir a todas as obras e levar a conversa para as redes sociais”, comenta Jaqueline Beltrame, diretora e curadora do festival.

As obras se dividem em três mostras: a Mostra Competitiva Brasil, a Mostra Artista Convidado Welket Bungué e a Mostra Outros Esquemas. A primeira delas, a Competitiva, atraiu mais de 395 inscritos, com 31 obras escolhidas para integrar a principal mostra da programação do festival. Foram mais de 144 horas de material avaliadas e selecionadas pelo time de curadores formado por Dirnei Prates, Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame e Vinícius Lopes.

Este ano, por conta do formato on-line, a organização do festival inovou na Mostra Competitiva Brasil, criando o Caderno de Artista. A novidade, disponível no portal do festival, exibe diversos conteúdos construídos em parceria com cada um dos selecionados em espaços formatados para cada um deles, contendo, além do filme selecionado, uma outra obra que dialogue com o trabalho em competição, entrevistas, informações e outras imagens, convidando o público a ter uma maior compreensão do universo de cada realizador. “Propusemos aos selecionados que compartilhassem nessa área especial do site referências artísticas, inspirações, processos criativos para a realização da obra audiovisual selecionada para a Mostra Competitiva. É como se eles abrissem os seus cadernos para o público: o Caderno de Artista. Esse material, que já está disponível no portal, será acrescido ainda da exibição do filme selecionado bem como de uma outra obra à escolha do realizador que seja uma inspiração para seu trabalho. É uma exibição quase dois em um”, declaram Jaqueline Beltrame, Ramiro Azevedo, Gustavo Spolidoro e Alisson Avila, organizadores do CEN, que celebra 18 anos de existência em 2021.

A seleção conta com dez projetos assinados por duos ou grupos, 8 realizadoras, 19 realizadores, além de artistas agênero e não-bináries. Temáticas como cenário político brasileiro atual, direitos humanos, fim do mundo, saúde mental, questões indígenas, memória e história, racismo, solidão na contemporaneidade, identidade queer, religiosidade, futuro, exploração da natureza, territorialidade, laços familiares, entre outras, pautam os títulos selecionados a partir de onze Estados brasileiros e duas produções assinadas por brasileiros realizadas no exterior (ou em coprodução internacional).

Eu não sou um robô (Gabriela Richter Lamas, Maurílio Almeida, Felipe Yurgel e Guilherme Cerón), O Ciclope (Guilherme Cenzi, Pedro Achilles), Per Capita (Lia Leticia), Performatividades do Segundo Plano (Frederico Benevides e Yuri Firmeza), sem título #6: o Inquietanto (Carlos Adriano) e Urubá (Rodrigo Sena) têm estreia mundial no festival, além de quatro estreias nacionais: 13 Ways of Looking at a Blackbird (Ana Vaz), A chuva acalanta a dor (Leonardo Mouramatheus), As vezes que não estou lá (Dandara de Morais) e Para Colorir (Juliana Costa).

A lista reúne títulos como O Mundo Mineral, de Guerreiro do Divino Amor, artista contemplado com o Prêmio Pipa 2019 e que participa pela terceira vez do festival; 13 Ways of Looking at at a Blackbird, de Ana Vaz, que integra a mostra Forum Expanded do 71º Festival Internacional de Cinema de Berlim. O título é inspirado no poema de Wallace Stevens e a obra é composta de série de tentativas de olhar e ser olhado, que propõe um caleidoscópio de experiências, questionamentos e maravilhas de um casal de alunos do ensino médio após um ano de experiências com a cineasta, questionando o que o cinema pode ser. Aqui, a câmera torna-se um instrumento de investigação, um lápis, uma canção. “O filme é uma música que dá para ver”, escreveu um dos alunos em uma constelação coletiva de frases e desenhos feitos durante uma das oficinas. 

Perifericu, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira, traz a história de Luz e Denise que cresceram em meio às adversidades de ser LGBTQA+ no extremo sul da cidade de São Paulo. Entre o vogue e as poesias, do louvor ao acesso à cidade, os sonhos e incertezas da juventude inundam suas existências. O curta já integrou mais de 70 festivais e mostras e recebeu 25 prêmios, entre eles o de Filme Mais Transgressor e Júri Popular no 27° Mix Brasil, e melhor da competitiva do Kino Forum. “Denise e Luz descolonizam sua existência com ancestralidade e uma boa dose de deboche. Elas existem e estão aqui, todos os dias, no gerúndio, amando, dançando, sonhando, sendo o que são. Ou melhor, o que somos. Somos seres poéticos e políticos. Reais, de verdade, não apenas os retratos sem voz do noticiário policial ou dos estereótipos que outros nos dão por ai”, afirma Well Amorim, diretor de fotografia e produtor executivo do filme.

A Mostra Competitiva Brasil conta com projetos de nomes que já estiveram em outras edições do festival, como a dupla Frederico Benevides e Yuri Firmeza, com Performatividades do Segundo Plano, uma continuidade de um trabalho em dupla que mantém uma pesquisa sobre imagens projetivas que começa com Entretempos e segue questionando o poder de modulação de futuro, mas também de presente e passado que essas narrativas tomam. “Dessa vez centramos foco na performance dos figurantes e dois filmes ensaios e oito fotos lenticulares, onde aproximamos imagens que podem ser vistas apenas como sofisticações da estratificação que sempre esteve posta entre quem olha e quem é olhado”, contam os realizadores.

Leonardo Mouramatheus também é um dos criadores que já passou por outras seleções do CEN. Em 2021 ele apresenta A chuva acalanta a dor, baseado no conto Lucrèce de Marcel Schwob. No ano 74 a.C, Tito Lucrécio Caro, um jovem com ideias ousadas, tenta convencer seu amigo Mêmio que ir estudar para a cidade de Roma é uma total perda de tempo. Anos depois, Lucrécio volta da capital. Tentando encontrar um equilíbrio entre suas explicações do mundo natural e sua experiência emocional do mesmo, Lucrécio vive uma paixão profunda e conturbada com Isa, sua esposa estrangeira. O filme já participou de festivais como IFFR | International Film Festival Rotterdam, na Holanda, IndieLisboa International Film Festival  em Portugal, Viennale – International Film Festival, entre outros, e estreia nacionalmente na programação do 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira. 

#eagoraoque, de Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald, expressa a ansiedade e exasperação dos realizadores com a situação política do Brasil e do mundo. “A extrema direita cresce a cada dia. Os ativistas e intelectuais de esquerda não sabem como reagir. A Universidade parece cada vez mais distante da periferia e sua gente. E agora, o que devemos fazer? Ficção e realidade se misturam nessa busca urgente por respostas”, refletem. Lyz Parayzo Artista do Fim do Mundo, de Fernando Santana, acompanha o início da trajetória artística de Lyz Parayzo, artista visual que, através de suas obras e performances, coloca em discussão qual o espaço da arte em um corpo não-binário provindo da periferia. Artista performática nascida e criada em Campo Grande, zona oeste e periférica do Rio de Janeiro, Lyz  tem o corpo como principal suporte de trabalho e sua performatividade diária como plataforma de pesquisa revelando o descompasso entre o que se diz, o que se faz, o discurso e a prática. 

Vil, Má, de Gustavo Vinagre, apresenta a história de Wilma Azevedo, uma escritora de contos eróticos e dominatrix de 74 anos, conhecida como a Rainha do Sadomasoquismo nos anos 1970 e 1980. Mas ela é também Edivina Ribeiro, jornalista, mãe de três filhos, religiosa e esposa dedicada. Wilma/Edivina conta suas histórias para o diretor Gustavo Vinagre, em um documentário que funciona como um jogo de dominação entre diretor e personagem. O filme integrou a seleção oficial na Berlinale e no Queer Lisboa. Vento Seco, de Daniel Nolasco, mais um nome que já esteve em outra edição do festival, também participou do Festival de Berlim em 2020 e traz a história de Sandro, que vive em uma pequena cidade do interior de Goiás. O protagonista divide seus dias entre o clube, o trabalho, o futebol e a vida social, além do relacionamento com Ricardo. Mas a sua rotina começa a mudar com a chegada de Maicon, um rapaz que desperta o seu interesse e do qual todos sabem muito pouco.

Obra inédita que terá première mundial na programação do festival, Eu Não Sou Um Robô é uma criação de Gabriela Richter Lamas, Maurílio Almeida, Felipe Yurgel e Guilherme Cerón. O filme é uma experimentação sobre a solidão e o contato por meio do digital que se acentuou durante a pandemia de 2020. Ao falhar incontáveis vezes em um teste ReCAPTCHA, que diferencia humanos de robôs, a personagem Tânia se pergunta sobre o real e anseia por qualquer tipo de contato presencial e físico, deliberando sobre a vida com a visita de uma Mosca. Ansiosos por estarem juntos na distância durante a pandemia de COVID-19 em 2020, Gabriela Lamas, Maurílio Almeida e Felipe Yurgel fizeram diversas reuniões on-line para escrever “Eu Não Sou Um Robô”. O filme foi, então, gravado com uma equipe de três pessoas, sendo elas a diretora Gabriela Lamas e o roteirista Maurílio Almeida, que também atuam como os personagens Tânia e Mosca, e a diretora de fotografia Lívia Pasqual. “Pode-se dizer que este filme foi mais uma das tentativas de se manter são durante o isolamento e entender mais sobre o digital e a vontade de estar ‘junto”, afirmam. 

Estreando como realizadora, Juliana Costa integra a lista de selecionados com o longa Para Colorir, uma investigação sobre as possibilidades e limites do cinema erótico. Já Romy Pocztaruk apresenta Antes do Azul, curta que traz a multiartista Valéria Barcellos como protagonista e que circulou ao longo de 2020 por diversos festivais internacionais. Rodrigo Sena participa com URUBÁ, obra que levanta questões espirituais do protagonista Luiz. 

Davi Pretto, que em 2016 recebeu Prêmio Destaque do Cine Esquema Novo com Rifle, integra a seleção de 2021 com o curta-metragem Deserto Estrangeiro, projeto realizado durante a residência do DAAD Berlin Artists-in-residence em 2018. Um jovem brasileiro, que recém começou a trabalhar em uma imensa floresta em Berlim, é arrastado para um pesadelo envolvendo o passado colonial alemão quando tenta encontrar uma garota perdida na mata. O filme venceu em três categorias na seleção de filmes gaúchos do Festival de Gramado em 2020. 

A Mostra Competitiva Brasil premiará ao final do evento o Grande Prêmio Cine Esquema Novo 2021, com um troféu criado por Luiz Roque especialmente para o festival, além de prêmios em serviços da Locall, TECNA/PUCRS e CTAV. O júri desta edição é formado pela curadora Fernanda Brenner, a jornalista e documentarista Flávia Guerra, a realizadora Graciela Guarani e a multiartista Linn da Quebrada.

Paralelamente à Mostra Competitiva Brasil – Caderno de Artista, o CEN exibe ainda a Mostra Artista Convidado Welket Bungué. O artista transdisciplinar lusófono Welket Bungué, da Guiné Bissau, estará na edição deste ano do Cine Esquema Novo com uma mostra especial toda dedicada à sua obra, com seis títulos de sua autoria, selecionados com curadoria de Alisson Avila, Gustavo Spolidoro e Jaqueline Beltrame. Entre os filmes em exibição, três são inéditos e terão estreia no CEN: cacheu Cuntum, que se debruça sobre a cidade de Cacheu, primeiro porto de partida de pessoas escravizadas na Guiné Bissau para o continente americano (estreia mundial), e as estreias nacionais Bustagate, documentário experimental sobre violência policial em zonas periféricas de Lisboa, e Mudança, recentemente exibido no Forum Expanded, mostra do 71º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Completam a lista Buôn, É bom te conhecer e Treino Periférico.

A terceira mostra que ficará disponível on-line e gratuita nos seis dias de festival é a Mostra Outros Esquemas, que passou a integrar a programação do CEN em 2019 como forma de contemplar mais um espaço de expressão da arte audiovisual brasileira. Vêm de sete Estados brasileiros os 12 filmes selecionados pelos curadores Jaqueline Beltrame, Dirnei Prates, Gustavo Spolidoro e Vinicius Lopes, sendo que metade deles são obras assinadas por mulheres. No geral, as obras perpassam temas como a diversidade cultural brasileira, movimento feminista surdo, além de questões LGBTQIA+, povos originários, entre outras. São elas: Dois Homens ao Mar (Gabriel Motta), Espero Que Esta Te Encontre e Que Estejas Bem (Natara Ney), Eu, um outro (Silvia Godinho), GLAUBER, CLARO (Cesar Meneghetti), Homens Invisíveis (Luis Carlos de Alencar), King Kong en Asunción (Camilo Cavalcante).  Mulher Oceano (Djin Sganzerla e Vana Medeiros), Nuhu Yãg Mu Yõg Hãm: Essa Terra É Nossa! (Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero), O que Pode um Corpo? (Victor Di Marco e Márcio Picoli), Pega-se Facção (Thais Braga), Seremos Ouvidas (Larissa Nepomuceno), Zabé do Cariri (Beth Formaggini)

Além das mostras, o Cine Esquema Novo promove o seminário Pensar a Imagem, uma iniciativa realizada em diálogo com a proposta curatorial do festival para proporcionar encontros temáticos dedicados a discussões sobre questões estéticas, políticas, teóricas, conceituais, narrativas e de consumo relativas às imagens, especialmente à produção autoral e experimental. Para 2021, propõe-se como tema Repertórios e afetos: espectatorialidades e olhares opositores. Com transmissão pelo YouTube https://www.youtube.com/channel/UC4YhUX_47j6BgsJDqQR2zxQ, o seminário vai ocorrer de 12 a 15 de abril, das 19h às 21h, com LIBRAS.

Quatro oficinas ainda integram a programação do evento, três delas em parceria com o Macumba LAB, coletivo de profissionais negros e negras do audiovisual no Rio Grande do Sul e outra com o projeto Câmera Causa, que promove pela terceira vez na programação do festival sua oficina. Com o Macumba, as oficinas são: Animação Pixillation e a ilusão do movimento impossível, ministrada pela multiartista e Mestra em Meios e Processos Audiovisuais pela USP, Marina Kerber, no dia 11 de abril, das 15h às 18h; Pluralidade e cinema, uma realidade possível?, com as artistas Kaya Rodrigues e Sofia Ferreira, na segunda, dia 12 de abril, das 18h às 19h e o workshop Narrativas Antirracistas, com a roteirista, diretora e crítica de cinema formada pela PUCRS, Gautier Lee, no dia 13/4, das 9h às 12h. O projeto Câmera Causa ocorrerá em aulas práticas e teóricas ao longo dos dias de festival somando carga horária de 20 horas, com atividades ministradas pelos realizadores audiovisuais Gustavo Spolidoro e Lucas Heitor.

Diariamente, os filmes exibidos nas Mostras serão temas também de debates com convidados especiais. Nesses encontros, on-line, realizadores e críticos da ACCIRS debaterão, em transmissão no canal do YouTube, as obras exibidas. Participam dos debates Adriana Androvandi, Daniel Rodrigues, Giordano Gio e Maurício Vassali. A programação completa destes debates pode ser conferida em breve no site do festival: www.cineesquemanovo.org

Entre as novidades desta edição online estão algumas iniciativas criadas especialmente para interagir com o público em uma edição sem o calor humano dos encontros presenciais. Em lives curtas, de até 30 minutos no perfil do Instagram do Festival (@cine_esquema_novo), a equipe do CEN receberá convidados no programa Shot Esquema Novo, que inicia como um aquecimento para o festival, a partir de quinta, 08 de abril. A ideia é proporcionar, em estilo informal, lembrando mesa de bar, um bate-papo sobre assuntos leves relacionados à arte audiovisual. Os filmes da vida, as trilhas da vida… tudo pode ser estopim para uma conversa com os convidados. Além desse encontro, outra seção da programação é o Abrindo os Cadernos, um momento diário em que a jornalista Bruna Paulin vai receber os realizadores da Mostra Outros Esquemas para falarem sobre seus processos e inspirações. Uma série de episódios de podcasts do CEN também vai entrar na programação de modo a levar o universo dos artistas ao público em casa. 

A abertura do Cine Esquema Novo deste ano também traz uma atração especial: uma série de projeções urbanas em quatro pontos de Porto Alegre. Com curadoria de Tiatã, poeta, MC e educadora, performances dos slammers Bia Machado, Bruno Negrão, Jamile e Jovem Preto Rei serão projetadas com intervenção artística da VJ Janaína Castoldi no sábado de abertura do Festival, dia 10 de abril, às 20h. Para evitar aglomerações, as projeções serão transmitidas pelas redes sociais do evento, permitindo que o público possa acompanhar as performances de casa.

O 14º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira é uma realização da ACENDI – Associação Cine Esquema Novo de Desenvolvimento da Imagem. Projeto realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020. Mais informações, acesse: http://www.cineesquemanovo.org | http://www.facebook.com/cineesquemanovocen | @cine_esquema_novo 

EP de estreia de Arthur Koucher chega às plataformas nesta sexta-feira, 02 de abril

Reencontros traz seis faixas que contam com produção de Erick Endres

O instrumentista, cantor e compositor Arthur Koucher lança nesta sexta-feira, 02 de abril, seu EP de estreia, Reencontros. O projeto já contou com o lançamento de dois singles no início de 2021, Armação e Marchinha de Outono, e conta com produção de Erick Endres. 

As faixas apresentam diversas memórias do autor transformadas em música falando sobre amizade, paixões, ciúmes e afeto. Iniciando por Dentro daquela Concha e Armação que trazem um frescor de verão, passando por Marchinha de Outono e a chegada de uma nova estação, até encontrar nas últimas faixas do EP, que revelam outras sensações e temperaturas, um clima invernal. “Tanto a cadência quanto a textura dos timbres em conjunto com a letra dão à canção (Entre Nós) uma cor mais azul, expressivamente mais fria que Armação e delicadamente mais fria que Marchinha de forma que há uma mudança progressiva nas cores e tonalidades das canções ao longo do EP”, conta.

O cantautor de 23 anos iniciou sua trajetória na música ainda criança, aos seis anos de idade, com estudos de violão. Rapidamente desenvolveu habilidades e aprofundou seu conhecimento no violão erudito e no canto, assim como encontrou na poesia uma paixão. Todas as canções foram totalmente compostas pelo artista que, após um período afastado da música, teve a ideia deste projeto ao reencontrar o músico, amigo de infância e produtor do EP, Erick Endres. “Nos reencontramos depois de alguns anos afastados e o entrosamento e conexão tocando juntos foram imediatos”, conta Arthur.

A dupla iniciou as gravações em agosto de 2019 no estúdio Armazém Sonoro, onde seguiram com sessões até dezembro de 2020. Acompanharam Arthur (voz, guitarra e piano) e Erick (guitarra) no EP os instrumentistas Rafael Müller (bateria), Miriã Farias (violino), Lourenço Marques (baixo) e Pedro Dom (Clarinete)

A capa de Reencontros, assim como dos singles anteriores, é uma obra do artista João Salazar, uma aquarela sobre papel que representa memórias da infância de Arthur através da imagem de duas crianças sentadas na escada que leva à porta da casa onde Arthur mora desde pequeno no bairro Cidade Baixa.

Em breve Arthur disponibilizará em seu canal no YouTube uma performance do EP, que será divulgada nos próximos meses. Para acompanhar as novidades e conferir um pouco do processo de produção do projeto, acesse: instagram.com/arthurckoucher

Lançamento EP Reencontros de Arthur Koucher

02 de abril  em todas as plataformas de streaming

Produção Musical: Erick Endres e Arthur Koucher

Produção Executiva: Bruno dos Anjos / OcorreLAB

Arte de Capa: João Salazar

Assessoria de Imprensa: Bruna Paulin – Assessoria de Flor em Flor

Gravado no estúdio Armazém Sonoro (set 2019 – dez 2020)

Mixagem: Erick Endres

Masterização: Erick Endres

1. Dentro daquela Concha (1:40) – Arthur Koucher

Arthur Koucher: vozes

2. Armação (4:04) – Arthur Koucher

Arthur Koucher: vozes, guitarra e piano

Erick Endres: guitarra

Lourenço Marques: baixo elétrico

Rafa Müller: bateria

3. Marchinha de Outono (3:59) – Arthur Koucher

Arthur Koucher: vozes e guitarra

Miriã Moreira: violino

Lourenço Marques: baixo elétrico

Rafa Müller: bateria

4. Passagem (0:38) – Arthur Koucher

Arthur Koucher: guitarra

5. Entre Nós (3:45) – Arthur Koucher

Arthur Koucher: vozes e guitarra

Pedro Dom: clarinete

Erick Endres: baixo elétrico

Rafa Müller: bateria

6. Amanhecer (1:09) – Arthur Koucher

Arthur Koucher: vozes e guitarra

SOBRE AS CANÇÕES

  1. Dentro daquela Concha

O som do mar e o arranjo vocal introduzem a textura da primeira música do EP Armação. 

  1. Armação

Nosso pés nus a beira-mar

amassam a areia fria.

O som das ondas só me faz lembrar

dos momentos de alegria.

Nossos sorrisos juntos brilham mais,

Nossos suspiros são mais profundos,

A vida torna-se uma fantasia,

E tudo isso porque estamos juntos.

O tempo não quer passar.

Esse retrato só me faz lembrar

dos morros, do mar ao sul,

da grama verde e dos nossos mergulhos no azul.

Nunca se esqueçam das brincadeiras,

das piadas, das correrias,

da nossa falta de boas maneiras,

dos momentos de alegria.

Nossos sorrisos juntos brilham mais,

Nossos suspiros são mais profundo,

A vida torna-se uma fantasia,

Tudo isso porque estamos juntos.

O tempo não quer passar.

Esse retrato só me faz lembrar

dos morros, do mar ao sul,

da grama verde e dos nossos mergulhos no azul.

Armação é uma coleção de memórias de uma viagem que foi feita com dois amigos muito queridos até Florianópolis. São imagens de nós três próximos ao mar num momento da vida no qual me sentia vivendo plenamente o presente, sem muita preocupação com os capítulos que viriam.

A música começou a ser composta durante a viagem e por isso carrega a proximidade do mar. A forma como a harmonia é tocada no violão é a mesma desde o rascunho da canção, por mais que o arranjo tenha sido reestruturado anos depois com a adição das frases de piano. Mas, se por um lado a harmonia invoca a presença do mar, por outro, a letra suscita um tom de recordação, inclusive porque terminei de escrever a letra dias depois de ter voltado para Porto Alegre.

Logo, o resultado foi uma música não melancólica, mas esperançosa. Esperança de que, dentro de mim, sempre haverá um lugar onde estarão “as brincadeiras, as piadas e as correrias” como diz a canção. 

  1. Marchinha de Outono

O calor de março não quer

deixar ninguém dizer

que não aguenta mais tremer

de frio.

As flores não nascem mais

naquele canteiro ali.

Olha a roseira, os espinhos sem cor

sem flor.

O vento enrosca as folhas e os caules

momentos antes

do temporal.

E não existe lugar mais seguro

pra você e eu

que o meu quintal.

Brisa leve de outono

acaricia os meus pés e diz:

corre atrás dela e não te atrasa pra ser feliz.

Brisa leve de outono

acaricia o rosto dela e diz…

Marchinha é, inevitavelmente, uma música sobre a contemplação da estação do Outono.

Na época que a música foi composta, eu era extremamente apaixonado por uma menina que era minha colega no colégio e esse sentimento me movimentava – a paixão sempre me desloca. De certa forma, as cores do Outono me atingiam como as cores desse sentimento.

Assim como essa paixão, a Marchinha de Outono representa um movimento, e, mais especificamente, um movimento que precede o inverno, estação onde me resguardo. É uma corrida para alcançar a paixão e encontrar um lugar para se abrigar de nuvens chuvosas (o inverno porto alegrense é irreparavelmente chuvoso) e ventos frios dos quais “o calor de março não quer deixar ninguém dizer que não aguenta mais tremer…” como diz a canção.

Na música, a mudança de cadência com a entrada da bateria representa um dar-se conta da paixão e, portanto, uma saída do estado de repouso até um momento de êxtase quando os violinos desabam no último refrão.

  1. Passagem

Passagem é um interlúdio que conduz a atmosfera de movimento da marchinha a um patamar mais misterioso, introdutor de uma possível reflexão.

  1. Entre Nós

Salto alto

no tapete sala aberta.

Pulseiras recostadas

nas braceleiras do sofá.

Lábios negro

declamam palavras lerdas.

Cílios espetados,

no vai e vem do teu olhar.

Curtos pensamentos me distraem:

Eu e você

bicicletas

num fim de tarde.

Ela nos separa e não

tem vergonha

de aparecer aqui.

E eu não sei viver sem ela

mas só você

me faz sorrir.

Se Armação encontra-se num lugar de recordação e Marchinha num lugar de deslocamento, Entre Nós mistura os elementos das canções anteriores com estrofes que, num primeiro momento, constituem imagens de um encontro de amigos adolescentes e, num segundo momento, transfiguram-se em cenas de desejo de companhia e movimento.

Pela primeira – e acredito que única – vez no EP, aparece, no refrão, um tom realmente reflexivo sobre uma disputa na qual há duas personagens além do eu lírico. No refrão, então, fica claro que três pessoas estão enodadas e entre elas (daí o duplo sentido do nome da canção) coexistem ciúmes e afeto.

Tanto a cadência quanto a textura dos timbres em conjunto com a letra dão à canção uma cor mais azul, expressivamente mais fria que Armação e delicadamente mais fria que Marchinha de forma que há uma mudança progressiva nas cores e tonalidades das canções ao longo do EP.

  1. Amanhecer (Poslúdio)

Eu girando no meu quarto

até o dia raiar.

O teu sono é leve,

mas eu danço sem te acordar.

Amanhecer encerra o EP continuando a harmonia de Entre Nós em uma cena comemorativa da paixão, na qual o eu lírico dança enquanto sua companheira dorme momentos antes do nascer do sol.

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