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Longa-metragem de estreia de Cristiane Oliveira teve sua première no evento e levou troféus nas categorias Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção de Fotografia e Melhor Direção

 

O longa-metragem Mulher do Pai, uma produção da Okna Produções em coprodução com a uruguaia Transparente Filma, encerrou sua participação no 18º Festival do Rio com três Troféus Redentor na Première Brasil, principal mostra competitiva do festival.

O filme venceu nas categorias Melhor Atriz Coadjuvante para Verónica Perrotta, Melhor Direção de Fotografia para Heloísa Passos e Melhor Direção para Cristiane Oliveira. O júri do evento foi presidido por Charles Tesson, crítico e Diretor da Semana da Crítica do Festival de Cannes, e composto por Maria Augusta Ramos, diretora, Rodrigo Santoro, ator e Sandra Kogut, diretora. O evento que revelou os melhores desta edição ocorreu neste domingo, 16 de outubro, no Espaço BNDES.

Roteirizado e dirigido por Cristiane, Mulher do Pai também poderá ser visto na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda este mês, onde participa da mostra competitiva, intitulada “Novos Realizadores”. Apresentando a jovem atriz gaúcha Maria Galant, o filme tem Marat Descartes e os uruguaios Verónica Perrota (Wisky) e Jorge Esmoris (Artigas) no elenco principal. Completam o time de atores Amélia Bittencourt, Aurea Baptista, Fabiana Amorim e Liane Venturella.

Em Mulher do Pai, Nalu (Maria Galant) é uma adolescente que precisa cuidar do pai cego depois da morte da avó, que os criou como irmãos numa modesta casa perto da fronteira Brasil-Uruguai. Quando Ruben (Marat Descartes) percebe que a filha, aos 16 anos, já é uma mulher, surge uma perturbadora proximidade entre os dois. O estranhamento inicial dá lugar ao ciúme quando Rosario, uma professora uruguaia, ganha espaço na vida de ambos.

Diretora de um dos curtas mais premiados dos anos 2000 (Messalina, 2004), a cineasta porto-alegrense Cristiane Oliveira estreia em longas com Mulher do Pai. Atuou como assistente de direção em diversos curtas, documentários, longas e série para TV. Entre 2005 e 2007, coordenou a produtora gaúcha Clube Silêncio, onde produziu o longa-metragem Ainda Orangotangos, de Gustavo Spolidoro, além de curtas e telefilmes. Trabalhou também como co-roteirista, produtora associada e assistente de direção nos longas Nove Crônicas para um Coração aos Berros Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, ambos de Gustavo Galvão.

Antes mesmo de sua estreia, o filme já tem uma carreira de destaque.  Em sua fase de desenvolvimento, o longa venceu o VFF Talent Highlight Pitch Award, do Festival de Berlim, ganhou o Prêmio Santander Cultural para Desenvolvimento e foi selecionado para o workshop Produire au Sud, do Festival 3 Continentes, em Nantes, França. A estreia internacional do filme está programada para o primeiro trimestre de 2017.

Mulher do Pai é uma coprodução Brasil – Uruguai, produzido pela Okna Produções com a Transparente Filma e distribuído pela Vitrine Filmes. O filme foi todo rodado na Vila de São Sebastião, distrito de Torquatro Severo, pertencente ao município de Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha.

Um filme de mulheres

Durante as gravações em 2015, a produção proporcionou trabalho remunerado a diversas mulheres da região. A cultura do gado, atividade motriz da economia no interior do RS, oferece pouco espaço para a mulher, onde muitas acabam dedicando-se exclusivamente à vida doméstica.  Com a chegada recente da internet na vila, o quadro começa a mudar, sendo que algumas já começam a estudar pela rede.

As mulheres são uma constante na obra de Cristiane, que realiza seu primeiro longa com protagonista feminina e conta com diversas mulheres nas funções chaves de equipe: A equipe de produção conta com Aleteia Selonk, Graziella Ferst e Gina O’Donnell, a Direção de Fotografia é assinada por Heloísa Passos, Direção de Arte de Adriana Nascimento Borba, Montagem de Tula Anagnostopoulos, Corroteiro e Continuidade de Michele Frantz e supervisão de Edição de Som de Miriam Biderman.

Tendo como pano de fundo a cultura machista da região, enraizada até mesmo na protagonista, o filme conta em sua trilha sonora com um samba de Dona Ivone Lara, primeira mulher a ser aceita, em 1965, como compositora de escola samba, e um funk da paulista MC Gi. Concebida por Cristiane Oliveira, a trilha tem ainda músicas originais de Arthur de Faria (que assina a trilha de Insolação, de Filipe Hirsch e Daniela Thomas).

Mulher do Pai tem previsão de estreia nas salas comerciais no primeiro semestre de 2017 e já está sendo vendido nos circuitos internacionais através da Loco Films, de Laurent Danielou.

 

Mulher do Pai

Produção: Okna Produções (Brasil) | Coprodução: Transparente Filma (Uruguai)

Ficção, 94min, 2016

FICHA TÉCNICA

Roteiro e Direção: Cristiane Oliveira

Produção: Aletéia Selonk, Cristiane Oliveira, Diego Fernández

Produção executiva: Graziella Ferst, Gina O´Donnell, Gabriel Richieri

Produção Associada: Gustavo Galvão

Direção de Fotografia: Heloisa Passos, ABC

Direção de Arte: Adriana Nascimento Borba

Consultoria de Arte: Gonzalo Delgado Galiana

Som Direto: Raúl Locatelli

Montagem: Tula Anagnostopoulos

Corroteiro e Continuidade: Michele Frantz

Supervisão de Edição de Som: Miriam Biderman, ABC

Desenho de Som: Ricardo Reis

Mixagem: Paulo Gama

Música Original: Arthur de Faria

Elenco: Maria Galant, Marat Descartes, Verónica Perrotta, Amélia Bittencourt, Áurea Baptista, Fabiana Amorim, Jorge Esmoris, Liane Venturella, Diego Trindad

Distribuição no Brasil: Vitrine Filmes

Agente de vendas internacional: Loco Films (Laurent Danielou)

SINOPSE CURTA

Ruben e Nalu moram no campo, perto da fronteira Brasil-Uruguai. Quando ele percebe que a filha, aos 16 anos, já é uma mulher, uma perturbadora proximidade surge entre os dois. O estranhamento inicial dá lugar ao ciúmes quando Rosario, uma atraente uruguaia, ganha espaço na vida de ambos.

SINOPSE MÉDIA

Em uma pequena comunidade, próxima à fronteira do Brasil com o Uruguai, uma relação entre pai e filha se transforma. Ele é Ruben, um homem de 40 anos que ficou cego ainda jovem. Ela é Nalu, uma adolescente de 16 anos que está se tornando mulher. Eles precisarão aprender a se tratar como pai e filha depois da morte de Olga, mãe de Ruben – forte e super protetora, que os criou quase como irmãos. O afeto que surge entre ambos entra em conflito quando Rosario, uma atraente uruguaia, ganha espaço na vida de ambos.

CURIOSIDADES SOBRE O FILME

MULHER DO PAI teve destacada trajetória em sua fase de desenvolvimento. Foi selecionado para o Talent Project Market onde ganhou o VFF Talent Highlight Pitch Award, sendo apresentado no concorrido Coproduction Market do Festival de Berlim. Foi selecionado para o workshop Produire au Sud, do Festival 3 Continentes (em Nantes, França); e ganhou o Prêmio Santander Cultural para Desenvolvimento. Com esse histórico, o projeto teve seu financiamento completo através dos editais de Coprodução Brasil/Uruguai – Ancine/Icau, Ibermedia, e na primeira linha voltada à renovação de linguagem lançada pelo Fundo Setorial do Audiovisual.

Natural do Rio Grande do Sul, estado ainda com poucas diretoras de longas-metragens de ficção, Cristiane se destaca por sua trajetória e, neste contexto, realiza seu primeiro longa com protagonista feminina e mulheres nas funções chaves de equipe, tais como: na produção, Aletéia Selonk e Graziella Ferst, da Okna Produções; direção de fotografia, com Heloisa Passos (premiada porViajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes); direção de arte, encabeçada por Adriana Borba (premiada pelo longa A Última Estrada da Praia, de Fabiano de Souza); montagem, de Tula Anagnostopoulos (premiada pelo curta Messalina); e supervisão de som, a cargo de Miriam Biderman (conhecida por títulos importantes, como Mãe só Há Uma, Amarelo Manga, Faroeste Caboclo, entre muitos outros da cinematografia nacional).

O filme tem no elenco Marat Descartes, ator de Trabalhar Cansa (de Juliana Rojas e Marco Dutra) dentre tantos outros títulos importantes da cinematografia nacional recente e que foi homenageado pelo conjunto de sua obra na Mostra de Tiradentes em 2014. Ele contracena com a revelação Maria Galant, que vive Nalu – a protagonista e filha do personagem Ruben, vivido por Marat. Descoberta aos 16 anos, em Porto Alegre a partir de casting realizado com diversas meninas, Maria participou de um trabalho de preparação, junto à diretora, no decorrer de 12 meses. Um processo cuidadoso não apenas de sensibilização artística, mas também de aproximação entre atriz e diretora, para que se desenvolvesse a confiança necessária ao isolamento que Maria teria que vivenciar nas filmagens (ela viveu com a equipe do filme por cinco semanas na locação, que ficava sete horas de distância de sua cidade, Porto Alegre).

MULHER DO PAI é uma coprodução Brasil-Uruguai e contou com vários talentos uruguaios renomados internacionalmente: Gonzalo Delgado (diretor de arte de Whisky, de Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella), que atuou como consultor de arte; Raúl Locatelli (técnico de som de Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas); Diego Fernandez (diretor de produção de Whisky) que atuou como coprodutor à frente do setor de conteúdo da Transparente Filma; Verónica Perrotta (atriz de Whisky e Acné, de Federico Veiroj) e Jorge Esmoris (ator de Artigas: La Redota, de César Charlone).

O filme foi rodado no interior do Rio Grande do Sul, em uma vila de funcionários das estâncias de gado, com cerca de 200 habitantes, localizada na região de fronteira Brasil-Uruguai. Para se instalar lá, a produção precisou consertar estradas em razão do isolamento do local. Com a estrada ruim, a cidade mais próxima ficava a mais de uma hora de distância, tornando a logística muito difícil. Com o apoio dos habitantes da vila e das prefeituras de Bagé, Dom Pedrito e Lavras do Sul, inúmeras melhorias foram realizadas para, inclusive, hospedar a equipe nas casas da região e poder criar uma boa integração entre a produção e os locais. Sendo que 40 locais participaram de alguma forma do filme, é importante destacar que muitos eram do sexo feminino. Proporcionar trabalho remunerado a mulheres foi uma ação importante para a região, porque, na cultura do gado, não há espaço para a mulher trabalhar, fazendo com que muitas se ocupem exclusivamente da casa e da família. Com a chegada recente da internet na vila, o quadro começa a mudar, sendo que algumas já começam a estudar pela rede.

Tendo como pano de fundo a cultura machista da região, enraizada até mesmo na protagonista, o filme conta em sua trilha sonora com um samba de Dona Ivone Lara, primeira mulher a ser aceita, em 1965, como compositora de escola samba, e um funk da paulista MC Gi. Concebida por Cristiane Oliveira, a trilha tem ainda músicas originais de Arthur de Faria (que assina a trilha de Insolação, de Filipe Hirsch e Daniela Thomas).

A ideia para MULHER DO PAI surgiu das pesquisas para o primeiro curta da diretora, Messalina. E assim como a protagonista do curta, Vanise Carneiro (que ganhou diversos prêmios por sua atuação como uma personagem cega em Messalina), Marat Descartes fez laboratório para a preparação com deficientes visuais e conviveu com um homem cego da vila em que foi rodado MULHER DO PAI, cujo isolamento em sua própria casa é como o do personagem do filme.

PERFIL DIRETORA

Cristiane Oliveira, nascida em Porto Alegre, estreou na direção com o curta “Messalina” (2004), exibido na competição oficial dos Festivais do Rio, Gramado e Brasília. Nesses últimos ganhou o Kikito de Prêmio Especial do Júri e os Candangos de Melhor Roteiro e Atriz. O filme recebeu outros 10 prêmios pelos mais de 20 festivais que participou mundo afora. De lá para cá, Cristiane dirigiu outros dois curtas (“Hóspedes”, 2008 e “Portualleria”, 2007) e atuou como assistente de direção, roteirista (como do longa “Nove Crônicas para um Coração aos Berros”, de Gustavo Galvão, premiado pelo júri da FIPRESCI no Festival Internacional do Uruguai) e produtora (como do longa “Ainda Orangotangos”, de Gustavo Spolidoro, Melhor Filme no Festival de Milão). Seu primeiro longa, “Mulher do Pai” ganhou os prêmios VFF Talent Highlight Pitch Award (no Talent Project Market do Festival de Berlim) e Santander Cultural/APTC/Prefeitura de Porto Alegre para desenvolvimento de projeto; e foi selecionado na oficina Produire au Sud, do Festival 3 Continentes (Nantes, França). Realizado em coprodução com Uruguai, graças ao apoio do Ibermedia e do Edital de coprodução Brasil-Uruguai (Ancine-Icau), o filme foi viabilizado com suporte da primeira chamada para renovação de linguagem do FSA/2014. Atualmente, Cristiane prepara outros dois projetos de longa que foram premiados no edital de desenvolvimento e no de desenvolvimento em parceria Brasil-Itália do FSA.

PERFIL PRODUTORA

Aletéia Selonk é produtora desde 1995, atuou em diversos formatos de produção, para cinema e TV. Em 2006 criou a Okna Produções – uma das produtoras mais atuantes da região Sul do Brasil. Aletéia se destaca por ter sido selecionada para participar dos mais importantes espaços voltados a inserção de projetos no mercado internacional, como o Talent Project Market do Festival de Berlim e o Match Me do Festival de Locarno. Paralelamente, desenvolveu sua trajetória acadêmica. É pós-graduada em Produção Audiovisual e doutora pela PUC-RS (com passagem pela Sorbone, Paris V), focando suas pesquisas nas áreas de produção e distribuição. Atualmente, é professora do Curso Superior de Tecnologia em Produção Audiovisual da PUCRS, onde também comanda o projeto do Centro Tecnológico Audiovisual do RS.

OKNA PRODUÇÕES

Criada em 2006, a Okna Produções, empresa produtora de Aletéia Selonk com sede em Porto Alegre, produziu 6 longas-metragens, 16 médias, 20 curtas e 3 séries de TV. Juntos, seus filmes já participaram de mais de 200 festivais e arrebataram mais de 70 prêmios. Especializada na produção e produção executiva de produtos audiovisuais, a Okna realiza o gerenciamento não apenas de projetos mas também de talentos criativos. Dentre suas produções já lançadas destacam-se os longas Ponto Zero, As Aventuras do Avião Vermelho e A Última Estrada da Paia. Desde 2011 a empresa dedica-se também à distribuição, tendo lançado títulos como a ficção Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa e o documentário Walachai.

TRANSPARENTE FILMA

Com base em Montevidéu (Uruguai), a Transparente Filma tem se consolidado no mercado audiovisual desde 2003 ao produzir filmes para cinema e publicidade, conteúdos para televisão e ainda prestando serviços para produções internacionais. Entre seus sócios está Diego Parker, produtor de Mulher do Pai, que atingiu reconhecimento internacional com seus curtas. Atuou também como diretor de produção do filme de maior destaque da cinematografia recente uruguaia, Whisky, de Juan Pablo Rebela e Pablo Stoll.  Seu primeiro longa-metragem como diretor, Rincón de Darwin, recebeu apoio do conceituado Programa Ibermedia (Fundo Ibero-americano) e tem coprodução da premiadíssima produtora portuguesa O Som e a Fúria.