Estampas Britto

Projeto desenvolvido por Régis Duarte e Paulo Brum em parceria com a Casa Rima apresenta linha tecidos com estampas de obras de Britto Velho

Não é de hoje que designers se apropriam de obras de arte para criar objetos com imagens  célebres em museus e galerias. Inspirados nessa tendência, Régis Duarte e Paulo Brum criaram em parceria com a Casa Rima uma linha de tecidos para decoração com estampas de obras de Britto Velho, chamada Britto Velho Decoració. “Iniciamos um processo de seleção de imagens para uma exposição na Galeria Mascate, que mescla os originais do Britto e uma série de dez cartazes numerados que criamos a partir dos desenhos escolhidos”, revela Duarte.

Durante os quatro meses de seleção e estudos das obras, surgiu o desejo do artista em ver suas criações em objetos. “Sempre achei interessante quando encontrava peças de decoração e roupas com estampas de artistas. Comentei com o Régis e ele apareceu dias depois propondo que além dos cartazes, pensássemos na criação de uma coleção da sua marca”, revela Velho. O estilista desenhou uma série de 50 peças, entre camisetas, vestidos e kaftãs assinados pelos dois como Britto Velho para Régis Duarte. Das roupas, a ideia seguinte resultou na parceria com a Casa Rima, em linha de cinco estampas em tecidos para decoração. “Eles são piores do que eu, estão sempre inventando algo novo”, conta Velho. “De dez desenhos selecionados para uma exposição, resultamos em cartazes, roupas e tecidos para decoração, o poder deles de transformar novas ideias em outras criações é impressionante”.

Segundo Duarte, o processo criativo não poderia ser mais agradável e descontraído: “ele nos deixou muito livres para construirmos os projetos, foi tudo muito lindo e prazeroso”, revela. “Trocamos livros, conversamos sobre Design Construtivista e como integrar arte, design e moda, de desenhos que por serem inéditos são históricos e mereciam todos esses projetos”.

A linha de tecidos de decoração está disponível para venda na Casa Rima e uma pequena amostra das coleções de cartazes e tecidos também pode ser conferida no Hashi Art Cuisine e também na Galeria Mascate, até o dia 19 de janeiro.

Saiba Mais

Carlos Carrion de Britto Velho nasceu em 1º de junho de 1946, em Porto Alegre. Em 1971 realiza sua primeira exposição individual. Professor, pintor, gravurista, escultor, leciona desde 1978. Já expôs na Bienal de São Paulo, Bienal de Havana, Bienal do Mercosul, em diversas cidades brasileiras, além de exposições no Uruguai, Argentina, Espanha e França. Nestes 41 anos de carreira, já teve mais de 35 mostras individuais e mais de 90 coletivas. Após temporadas na França e em São Paulo, retornou à Porto Alegre em 1991, onde vive até hoje com sua esposa Zuneide.

Galeria Mascate

Sentindo a carência na cidade de uma galeria que realmente misturasse arte, fotografia contemporânea, design e moda, o fotógrafo Tiago Coelho e o designer Régis Duarte criaram a Galeria Mascate em setembro de 2011.

O nome Mascate ficou sempre associado à imigração árabe no Brasil, resultante do grande contingente de imigrantes proveniente do Líbano e da Síria que se dedicaram a esta atividade. Em menor número chegaram também ao Brasil imigrantes de outros pontos do antigo Império Otomano, como Turquia, Palestina, Egito, Jordânia e Iraque.

A mascateação introduziu inovações que hoje são traços marcantes do comércio popular, como as práticas de alta rotatividade e alta quantidade de mercadorias vendidas, das promoções e das liquidações.

Inicialmente os mascates visitavam as cidades do interior e as fazendas de café, levando apenas miudezas e bijuterias. Com o tempo e o aumento do capital, começaram também a oferecer tecidos, roupas prontas e outros artigos.